“Suponhamos que fossemos capazes de compartilhar abertamente nossas ideias sem o compulsivo desejo de impor nossa visão ou confrontar, distorcer e reduzir a relevância das opiniões dos outros.

Isto não seria uma real revolução cultural?”

David Bohm

PT | Nunca estivemos tão conectados. Vivemos rodeados por tecnologias de informação, podemos falar instantaneamente com pessoas em qualquer parte do mundo, mas infelizmente parece que desaprendemos a conversar. Temos a tecnologia, o dinheiro e o conhecimento para resolver todos os problemas, mas não conseguimos concordar em praticamente nada. Ou talvez, ainda pior, ficamos tão preocupados em impor nossa visão que acabamos perdendo o interesse nas opiniões dos outros.

Os atuais algoritmos de recomendação nos envolvem em uma bolha do mais do mesmo. Nos dão uma certeza ilusória de que a realidade é exatamente como pensamos. E o resultado disto é o inflar dos nossos egos. Passamos assim a não ouvir nem valorizar as opiniões dos outros, o que nos leva a este limitado mundo polarizado.

Uma das leis do pensamento de Aristóteles, a Lei do terceiro excluído, sustenta que, para qualquer proposição, ou esta proposição é verdadeira, ou sua negação é verdadeira. Ou seja, ou uma coisa é isso, ou não é isso. Porém, este raciocínio parece funcionar muito bem para tudo o que é complicado, baseado na lógica simbólica criada por Russell e Whitehead. Mas, para a realidade complexa que vivemos, onde uma pessoa pode amar e odiar ao mesmo tempo, onde um colaborador pode estar, ao mesmo tempo, engajado e desengajado com as coisas em sua empresa, este jeito de pensar ainda é limitado. Em nossas mentes humanas e complexas, os paradoxos coexistem, às vezes pode ser isso e não isso, ao mesmo tempo. Às vezes isso e às vezes aquilo, nem isso nem aquilo, um pouco disso e um pouco daquilo.

Bem, de nada adiantará termos todas essas tecnologias de comunicação se não estivermos interessados em ouvir e dialogar para explorar todas as possibilidades. E, se ao invés de buscar ganhar uma discussão, pudéssemos estar interessados em avançar coletivamente. Como é o padrão de interação na sua organização? Você percebe a revolução que poderia acontecer apenas mudando o jeito de conversar?

“Let's suppose that we were able to openly share our ideas without the compulsive desire to impose our viewpoint or to confront, distort, and diminish the relevance of others' opinions. Wouldn't this be a true cultural revolution?”

EN |We have never been so connected. We live surrounded by information technologies; we can instantly speak with people anywhere in the world, but unfortunately, it seems like we have forgotten how to converse. We have the technology, the money, and the knowledge to solve all problems, yet we cannot seem to agree on practically anything. Or perhaps, even worse, we become so preoccupied with imposing our viewpoint that we end up losing interest in others' opinions.

Current recommendation algorithms envelop us in a bubble of more of the same. They give us an illusory certainty that reality is exactly as we think. And the result of this is the inflation of our egos. We thus cease to listen to or value the opinions of others, leading us to this polarized world.

One of Aristotle's laws of thought, the Law of excluded middle, maintains that for any proposition, either this proposition is true, or its negation is true. In other words, either something is this, or it is not this. However, this reasoning seems to work very well for everything that is complicated, based on the symbolic logic created by Russell and Whitehead. But for the complex reality we live in, where a person can love and hate at the same time, where an employee can be both engaged and disengaged with things in their company, this way of thinking is still limited. In our human and complex minds, paradoxes coexist; sometimes it can be this and not this at the same time. Sometimes this and sometimes that, neither this nor that, a little of this and a little of that.

Well, it will be of no use to have all these communication technologies if we are not interested in listening and dialoguing to explore all possibilities. And if, instead of seeking to win a discussion, we could be interested in advancing collectively. What is the pattern of interaction in your organization? Do you perceive the revolution that could happen just by changing the way we converse?

Anterior
Anterior

“A mente intuitiva é um presente sagrado e a mente racional é um servo fiel. Criamos uma sociedade que honra o servo e esqueceu o presente.””

Próximo
Próximo

“Panta rei: Tudo flui”